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 Purxotoma Quenim - Goa's last representative in the Portuguese Parliament

 

O ÚLTIMO DEPUTADO POR GOA AO PARLAMENTO PORTUGUÊS 

       * Jorge de Abreu Noronha

 

Passou em Março deste ano o 25º aniversário da morte de Purxotoma Quenim, que cumpriu a missão de Deputado por Goa na então Assembleia Nacional de Portugal desde 1958 até 1961, ano em que, em Dezembro, os territórios que ainda constituíam o Estado (Português) da Índia foram ocupados pela República da Índia. Já antes disso exercera funções no Conselho Legislativo daquele Estado. 

A essa individualidade marcante nos meios social e industrial de Goa desejamos prestar por isso nas páginas desta revista a nossa homenagem. E não encontramos melhor meio de o fazer do que pela transcrição do que sobre ele foi escrito na “Harpa Goesa” – revista do “Centro de Cultura Latina” de Goa que desde o ano de 1968 se publicava todos os meses de Dezembro em Panjim. E, se no seu nº 11 (de 1978) aquela revista a ele se referia como sendo homem culto, inteligente desde estudante do Liceu que se afirmou como tal e pela vida fora também mais tarde como Vogal do Conselho Legislativo deste território e Deputado por Goa à Assembleia Nacional em Portugal onde era tido como homem conhecedor de alguns intrincados problemas do Estado da Índia que tão dignamente representou, foi no número seguinte, de 1979, que a “Harpa Goesa” registou o seu preito ao filho ilustre desta Terra cuja voz emudeceu para sempre na noite de 13 para 14 de Março de 1978. Nesse nº 12, de Dezembro de 1979, lemos na “Harpa Goesa”: 

“Era desses jovens do seu tempo que, provindo da boa cepa dos Quenins aristocráticos, se impuseram também pelos seus rasgos de generosidade e de convívio humano sem distinções sociais entre os homens do Oriente e do Ocidente. 

“Mesmo em estudante do Liceu em Pangim, ao lado de aluno prestimoso que era, qualquer cousa mais existia em Purxotoma Quenim que não levaria muito tempo a aflorar. 

“Houve com efeito na sua vida momentos difíceis que podiam ter turvado os horizontes da sua existência, não fosse a sua intuição e pertinácia, o seu instinto de lutador que era também uma espécie de estímulo para os seus maiores: para o seu pai o saudoso Ramanata Quenim e para os seus tios Pundolica, Ramanata e Visvonata, em horas extenuantes em que tinham de sustentar pleitos complexos. Constituíam esses verdadeiras batalhas forenses em que por anos militaram em defesa dos seus direitos nos quais tiveram a ajuda de figuras eminentes do foro goês e de juristas portugueses como José Alberto dos Reis, Marcelo Caetano, Albino dos Reis e Almeida Ribeiro. 

“Estudioso dotado de grande penetração de espírito, frequentando lições de Direito num curso particular, ao fim das quais e mediante exame obteve provisão para advogar. A sua escolha para Membro do Conselho Legislativo do Governo de Goa, Damão e Diu em 1955 provou-se muito acertada como conhecedor da engrenagem administrativa e das actividades industriais deste território durante o regime português, porém em maior grau ainda quando foi eleito Deputado ao Parlamento português em 1958, muito particularmente no que toca a administração e desenvolvimento deste território, seus Planos de Fomento em período difícil e que demandavam soluções imediatas.

 “Por tais motivos, suas opiniões, seus modos de ver, sua maneira de pensar e de encarar problemas mereciam sempre o maior apreço dos Membros daquela Assembleia mais conhecida como o Hemiciclo de São Bento, em Lisboa, onde a voz de Goa tantas vezes ecoou na palavra de alguns dos nossos ilustres Parlamentares e é ainda recordada com viva saudade através das Actas das Sessões da mesma Assembleia. 

“Purxotoma Quenim foi assim um dos últimos deles, ocupando uma situação destacada mercê de um conjunto de qualidades que o impunham e pela integridade moral com que se houve como Parlamentar até 1961. Assim (ficou vaga) a sua cadeira em São Bento, por onde haviam passado alguns Deputados goeses dos mais ilustres desde Bernardo Peres da Silva ou Francisco Luís Gomes, António Caetano Pacheco ou o Padre João Batista Canã, Luís da Cunha Gonçalves, Froilano de Melo, Sócrates da Costa e outros. 

“Ao mesmo tempo homem industrioso e empreendedor, culto e viajado, de colaboração com o seu irmão Datatraia e outros membros da família como o bem lembrado Ananta (mais conhecido como Babá Quenim) e o Dr. Vamona, deixa uma obra inesquecível. É a construção do hotel ‘Mandovi’ desta cidade (Pangim) concluido em 1952 naqueles moldes onde há muito da sua criação pessoal e do seu talento artístico que deu a Goa novos contactos com o Mundo e cujos 25 anos viu comemorados em Dezembro de 1977 nas paginas da revista HARPA GOESA daquele mesmo ano, que acabara de ler com verdadeira ternura antes de partir para Bombaim de onde não mais voltaria com vida. 

“É esta a individualidade de Purxotoma Quenim à qual o Centro de Cultura Latina de Goa prestou tributo na tarde de 15 de Março deste ano (1979) com uma sessão comemorativa realizada no mesmo Centro onde foi colocado o seu retrato na Galeria Goesa. Nela fizeram uso da palavra o Conservador do mesmo Centro Sr. Renato de Sá, o Arquitecto Ralino de Sousa e o Sr. Alain Desoulières, Professor de Literatura Francesa no Instituto Nacional de Línguas Modernas em Islamabad, que prestaram tributo à memória do ilustre extinto e que seguidamente o seu filho Prashant agradeceu muito comovido”. 

Tendo pois morrido em Bombaim na noite de 13 para 14 de Março de 1978 este último Deputado por Goa à Assembleia Nacional portuguesa, o seu corpo foi transportado para Goa e o funeral realizado em Panjim, tendo constituido uma sentida manifestação de pesar – ainda no relato do nº 11 (1978) da “Harpa Goesa”.

 

 

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