Poems by Berardo Pinto Pereira  - 10



BOSTIÃO


Bostião era somente dez e vivia ao lado do mar,
Pensava eu que um dia seria um robusto pescador.
Mas não: embora na sua juventude fora a pescar
Sua esperança e felicidade futura não era no remador.

A ninguém contou seu segredo, embora sempre um o pedia:
"Quando crescesse que é que o Bostião gostaria de ser?"
Seus olhos negros brilhavam; seus sonhos nunca os queria dizer.
A resposta, talvez ao seu coração balbuciava, mas minguém a ouvia.

Mas naquela manhã de Maio: uma manhã bem misteriosa,
O pequeno homem com seu tio foi a pescaria na baía,
O mar estava muito zangado … as suas ondas tempestuosas,
A barquinha nessa crista rabugenta como uma borboleta parecia!

Numa dessas ondas, a barquinha naufraga!
Bostião, pobrezito afunda; os seus olhos com susto ofuscam:
Lá no alto sobe; nas profundidades desaparece. A vida …a franga!
Nesse desoriamento mental dois braços fortes o crcumdam!

O rosto teso, corpo pálido: aquieto. Um sussurro atropela:
"Sem saber conduzir um carro, … afogado ….?"
Um gemido inconsciente … silêncio … agora sua alma regala!
Finalmente, quando abre os seus olhos, dos seus acha rodeado!

Hoje o Bostião já homen feito, tem o seu próprio coupé,
E chefia a escolta principal do Rei d'Al Harir.
Terá ele novas ambições? Sim, muitas sonhadas de sopé!
Também tem tempo de as dos seus descubrir!



©
Berardo Pinto Pereira
16 de Janeiro de 2001

 

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